sexta-feira, 17 de agosto de 2012

LICENÇA CRÔNICA: SANDRO BAHIENSE


Sandro Bahiense é professor, bibliotecário e amante das coisas que envolvam escrita. Lançou em 2008, em parceria de Ricardo Salvalaio e de mais 7 colegas poetas, a coletânia de poesias "8 Vezes Poeta", trabalho em que pôde expor um pouco de seus sentimentos e arte. Ficou conhecido entre os colegas da UFES por fazer uma crônica para cada um deles. Além de crônica e poesia, Sandro também escreve artigos de opinião, contos e máximas. Tais trabalhos podem ser vistos em seu próprio blog cujo endereço é http://sandrobahiense.blogspot.com/. Sandro trabalha também, claro, neste blog como um dos colunistas. Confira, abaixo, a crônica intitulada “Só o sexo salva”:

SÓ O SEXO SALVA!

Ela é bonita, gostosa e intempestiva. Do jeito que eu gosto! Seu jeito intenso nem deixa espaço pra mim e eu gosto. Nos divertíamos com coisas sérias e ficávamos sérios a cada piada. Com a gente não tinha distância nem proximidade, estávamos ligados e imunes a isso.

Com ela, fui de 0 a 80 como o melhor bólido. Tudo era a jato. Vivemos 50 anos em 5 sem sermos Kubitschecks e voamos aos mais altos espaços a lá Pontes. Comi o mundo e tomei a Via láctea de sobremesa e, por fim, ela riu do meu bigodinho de leite.

Molhei-a com meu leite, ensopei-a com meu suor, a ensurdeci com meus urros. Fiz-lha a mais desejosa mulher, a levei aos mais altos píncaros, gozei litros. Morri. Renasci. Tomei um Gatorade e morri de novo. Nem sei se renasci outra vez...

Ela é bonita, gostosa e adora uma discussão. Queria porque queria viver Romeu e Julieta comigo. Me botou a faca no pescoço, ameaçando me matar se eu não me matasse por ela. Era simbólico, e não era. Era DR. “Discutir relação”? Que nada! Era “Doideira Rompante”. De dar medo ao capeta. Eu não iria morrer de pressão (só se fosse a arterial). Eu queria morrer de amor.

A moça me deu uma aliança para eu por no pescoço e um crachá de “pertence a” para quando não estivesse perto. Me comparou com 101 ex-namorados e umas duas ex-namoradas. Nem sei se fiquei mais surpreso ou com tesão. Por fim, cada um foi para o seu canto, após “pequenas” 4 horas de discussão.

Brigamos pra caralho, quase saímos na porrada.

Depois ela foi lá em casa. Tinha aqueles olhos de cachorro que fez xixi no sofá e que quer ser perdoado. Nem falamos nada. A joguei na parede e comecei a mordê-la. Era a primeira vez que fazia sexo pós-briga. A coisa é boa pra cacete, ou melhor, perdoem o trocadilho, é boa pro cacete. Que trepada! Arranquei a calcinha dela no dente, apertei-lhe a bunda com força, meti com tudo! Perdoem-me, mais uma vez, pela “chulidez”, mas, dessa vez quem ficou com bigodinho de leite, foi ela.

Fizemos as pazes.

No outro dia, ela veio feito uma leoa. Para sexo? Porra nenhuma! Pra me torrar o saco. Nem sei se ela sente mais prazer em foder comigo ou me foder. Nem lembro porque discutimos, talvez por fetiche. Que merda de vida. Vou meter o pé nela. Sairei fora. Talvez amanhã. Ela quebrou tudo, desde minhas porcelanas chinesas (presente de vovó) até meus LP’s de Coltrane e King Cole. Fiquei puto. Que caralha! Que canalha! Que porra de mulher! Vou meter o pé. Vou falar com ela. Nem deu tempo. Fizemos sexo. Aquela porra de sexo gostosa pra caralho. Que merda. Eu não consigo largar essa mulher. Só o sexo salva! Só o sexo salva!


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